A estranha sensação de voar
Um homem com uma Kawasaki Ninja em mãos, pensa que é rei, um imortal. Quer mostrar poder. Quer conquistar gatinhas. Quer correr além dos limites do tempo e espaço. Nada mais normal, com uma Kawasaki Ninja isso é bem possível. Com umas 400cc você faz o que quer. O problema é se conter perante a tanto poder. Uma hora você extrapola, exagera, pensa que é o Cap. Nascimento, daí é um abraço. Morre ou voa. Talvez os dois. Eu voei.
Até seria compreensível eu me acidentar com uma Kawasaki 400cc. Nada mais justo do que correr com uma máquina destas. Eu diria que é até recomendável. Seria meu caso se não houvesse um detalhe: eu não estava em uma Kawasaki Ninja, eu estava em uma Lambreta!? Céus, eu morreria em uma lambreta. Todavia, felizmente, apenas voei.
Tudo começou com uma brincadeira. A lambreta nem minha era. Era de um amigo, era para me divertir pelas ruas do bairro. Mas, incrivelmente, pelas leis de Murphy, aquela lambreta se transformou em uma máquina mortífera disposta a me levar desta para uma melhor, ou talvez pior, ou sabe-se lá o que. Não gosto de pensar nisso.
Em fato, eu queria continuar vivendo. Céus, tanta coisa para conhecer. Porém, não pensei na vida quando vi aquela bela e assaz descida perante mim. Era apenas eu e ela. Ela me dizia: -Venha, desça correndo, sou toda sua. Não pensei duas vezes, acelerei. A lambreta até pediu água, começou a fazer um barulho sinistro, até digo que se eu morresse naquele momento, eu morreria assustadoramente ouvindo um som do cão. Assim fui descendo, correndo, vendo a vida passar. Começou a ficar rápido demais. Muito rápido.
Incrivelmente, naquele momento, eu tive uma visão. Um visão toda borrada. Eu estava voando! Foi rápido, demasiado rápido. Engraçado a sensação que se sente quando você está sofrendo um acidente. Simplesmente você não acredita. É um sonho? Uma ilusão de ótica? Não, você está se ferrando, amigo. É realidade. Mais engraçado ainda é ouvir o barulho todo e saber que o ferrado da vez é você. Dolorosamente você. Neste caso, eu. Só não chorei devido ao meu imenso poder Jedi. Doeu.
Ver a morte de perto não é fácil, não. É uma adrenalina sem igual. Eu estava ferradamente sem capacete. Até porque… Capacete com lambreta? Nem. Coisa de moça. Todavia, naquele momento me seria providencial. Seria, mas não foi. Voei legal, fui parar a praticamente uns dois metros de distância da lambretinha. Para você ter noção, o barulho foi tão altamente incrível, que os vizinhos até saíram de suas casas para verem o que aconteceu. Fofoqueiros.
Dizem que quando se vê a morte, você vê um pequeno filme da sua vida. Eu não vi nada, a não ser o asfalto se aproximando. Todavia, apenas adquiri alguns leves ferimentos nos braços, que foram usados para proteger meu rosto na queda. Menos mal. Ferimentos leves. Trauma profundo. Enquanto eu voava, eu pensava na vida, em coisas que ainda precisava conhecer.
Poucos meses depois conheci um inferninho.

Postado em 25 de Outubro de 2007
Bom, se o acidente fosse a 400km/h, tu teria virado carne moída. Se fosse a 80km/h, bem provável também. Afinal, a que velocidade tava a lambreta? 20 por hora??? Hehehehe
Abração!
Gostei da história! E ainda bem que tu sobreviveu ao fatídico acidente para poder contar.
Cara.. uma vez eu tinha saído duma festa que toquei com meu irmão e estava voltando pra casa. No meio do caminho, de madrugada, eu parei numa árvore pra aliviar e meu irmão continuou andando.
Depois fui correndo pra alcançá-lo e tropecei. A primeira coisa que me passou pela cabeça foi “Eu não acredito que eu vou cair no chão! Isso é coisa de criança, droga!”. E vislumbrei cada instante da queda até machucar meus dedos e minha mão pra me proteger na queda. É horrível saber que por um descuido nosso a gente vai quebrar a cara e se ralar todo…
Fabio, não sei, viu… Tava um pouco rápida, não que dê pra dizer “nossa! como tava rápida…” Mas tava.
Pois é, ainda bem mesmo. Mas doeu muito depois. Meus braços ficaram muito ferrados.
Diego Matias, ehuaha é isso mesmo, cara. Eu pensei assim também. É muito esquisito. Só os tontos caem. ¬¬’
Esse seu texto me fez lembrar de uma queda de bicicleta que eu tive anos atrás. História parecidissíma. Até os pensamentos na hora do vôo (está acontecendo comigo!).
Só que acho que o meu foi um “pouquinho” mais grave que o seu. No meu caso eu arrumei uma confusão (afinal tinha um cruzamento depois do morro!) e apartei o freio da frente mais forte que o traseiro, resultado: fui catapultado.
Só que eu devo ter caído a uns 3/4 metros de one estava, e rolaram muitas capotagens (minhas) asfalto abaixo. Resultado: me esfolei todo e carrego uma cicatriz até hoje. Mas poderia ser pior, não sei como não quebrei nada e como parei de “capotar” pouco antes de um bueiro. Sorte.
leanDrow, é, pelo jeito foi mesmo, pois não voei tanto assim. Eu cicatrizes nos braços, pois machucou bastante, não profundamente, mas o suficiente para marcar.
Bom que estamos vivos para contar. ^^
Que câmera lenta para dar tempo de pensar tanta coisa hein!
Massa o texto cara! =D
Rafael, pior que é rápido, mas dá pra pensar em um monte de coisas. Talvez pareça surreal, mas é verdade. Dá um medo tremendo, sem contar que você não acredita. No momento da queda nem dói, dói mesmo é saber que doerá depois… Por incrível que pareça. ^^
Eu nunca pensei que cair no chão e machucar fosse assim tão estranho…
O momento do tombo parece até um filme!!!
Érica, você também caiu? rsrs Espero que não tenha voado como eu. Mulheres não podem nem devem cair.
[...] na vida real. Algumas vezes por pura covardia, outras por serem realmente perigosas (inclua-se aí: vôo livre a distância, no asfalto, sem capacete). Seja lá o que for, nos nossos sonhos podemos fazer quase tudo o que quisermos, inclusive pegar [...]
hauhauh .. japa .. estou mexendo nos seus arquivos … me divertindo de mais!!!!!!
coisas q soh acontecem com vc msm …
bjão
Não é mole não, eu também já dei uma voada uma vez! Car a coisa é feia. Isso foi em 1991, eu e minha DT 180 ano 1987, bicho ela era novinha, pretinha e muito boa. Bem estava eu na estrada, era sabado a terde e foi quando resolvi cortar caminho pelo meio de uma plantação de trigo, entrei e acelerei a bichinha, estava a mais de 70 km/hora no meio da roça e quando menos espero surge imponente a minha frente uma curva de nivel (udada para conter erosão), foi o fim de minha aventura! Só me lembro de passar voando sobre o guidon e bater contra o chão duro, rolando por mais de 15 metros a velocidade de uns trocentos giros por minuto e ouvia a moto batendo e se despedaçando logo atrás, imaginado que ela além de tudo ainda ia me atropelar! Foi terrivel. Uma dor miseravel nas costas, que no momento achei que tinha fraturado a coluna, depois de uns trinta segundos de gemidos e quase hurros, juntei forças e me levantei. Confesso, o que mais doeu foi meu orgulho e conta que ficou para recuperar a aquela ingrata! É mole? E depois de tudo o que fiz pra ela! Ainda hoje, sempre que passo naquele lugar me vem as lembranças e a lição jamais esquecerei; nunca confie demais em uma coisa de duas rodas ou menos rsrsrsrsr…