Estranhos
Na minha adolescência, havia uma garota por quem eu era apaixonado. Achava eu que ela era a mais linda, a mais simpática e, com isso, alimentava esperanças de que seria ela a mulher da minha vida. De algum modo, eu não conseguia enxergar meu futuro sem ela. Ela seria uma namorada, ou então, no mínimo, uma grande amiga. Enfim, era a garota que mudava meu dia e que, pensava eu, mudaria minha vida. Mas o tempo passou e nada disso aconteceu.
Eu e ela, que éramos tão amigos, seríamos qualquer coisa juntos. Hoje, no entanto, sequer nos falamos. Sei que agora ela é mãe, mora em outra cidade. No mais, posso dizer que somos estranhos.
E assim como ela, outros amores ficam e ficaram, dia a dia, para trás. E isso é, no mínimo, curioso. Ora estamos dizendo o quanto amamos determinada garota e o quanto precisamos dela em nossa vida, e em outra, por orgulho ou pelo motivo que for, a olhamos como se fosse uma estranha.
Pensando bem, talvez sejamos isso mesmo: estranhos. Ou melhor, somos apenas convenientemente conhecidos. Isso porque, quando não for mais conveniente, voltaremos a ser tão desconhecidos quanto éramos antes. É o que acontece quando um namoro acaba e um outro começa, quando se consegue um emprego melhor, quando se muda de cidade… Pessoas acabam ficando para trás. E no fim, somos todos estranhos.
Mas sei lá, talvez seja apenas coisa da minha cabeça…

Postado em outubro 20, 2008
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