Entrevista: J. Noronha do blog ?O Fim da Várzea?
Definir metas, identificar erros, persistir, enfim, acreditar naquilo que buscamos. Tudo isso é necessário para que alcancemos o sucesso de nossos blogs. Porém, tão importante quanto isto é a nossa capacidade de aprendizagem. Além de aprender com nossos erros, devemos aprender com outros blogs, principalmente, com os grandes.
Pensando nestes fatores, resolvi convidar o J. Noronha para uma entrevista. Sei que todos sabem, mas ainda assim vou repetir, ele é o cara por trás do famoso blog O Fim da Várzea. Um dos grandes da blogosfera brasileira e é, portanto, alguém que tem muito a nos ensinar.
Antes de mais nada, quero agradecê-lo. Ele aceitou o convite prontamente, inclusive, foi muito atencioso. Acredito que o resultado da entrevista foi bom, e espero que, assim como eu, aproveitem muito bem as dicas dadas por ele.
A entrevista
Noronha, podemos ver que seu blog já alcançou grande notoriedade na blogosfera brasileira. É, sem dúvidas, um sucesso. Qual foi o fator determinante para este sucesso?
Eu estabeleci uma estratégia ao iniciar. Primeiro deixei acumular uns 20 e poucos textos, Depois comecei a comentar diariamente em blogs que tinham uma boa visitação.
Posso dizer que a estratégia inicial foi essa, escrever + comentar. Dá para dizer que ainda é a melhor maneira de iniciar no meio.
No início não há muito retorno, depois de um tempo, sua URL começa a ficar conhecida e vem a segunda parte, os links começam a surgir. Esses links são importantes na hora do Google te encontrar, hoje 60 % da minha visitação vem do Google.
Outro fator é escrever sobre assuntos que tenham “demanda” na rede, não adianta escrever sobre o peixinho dourado e esperar ter repercussão. E posso dizer que tive um pouco de sorte, vejo gente por aí que escreve muito bem e não tem a mesma visibilidade. Acho que é isso, sou meio verborrágico.
É interessante essa questão das URLs, dos links. Quando começamos somos, geralmente, mais comunicativos entre nós. Nos linkamos mais e etc. Porém, isso tende a mudar conforme o blog vai crescendo. É aí que o ego do blogueiro se torna mais importante. Discorda de tudo e de todos. Qual a visão que você tem desse tipo de blogueiro? Você acredita que haja falta de humildade na blogosfera brasileira?
Eu dividiria a resposta em duas partes, o público e o privado.
Eu tenho contato com a maioria dos blogueiros, via blog ou email, e ninguém se comporta como “estrela”, digamos assim.
No público, que é o blog, obviamente, às vezes é preciso causar polêmica, fazer barulho. A maneira que você utiliza para escrever sobre determinado assunto pode fazer toda a diferença. Já escrevi sobre o mesmo assunto que outros e fui parar na primeira página do REC 6. O que fez a diferença foi simplesmente o estilo.
Uma terceira questão é que quando você ganha visibilidade, ganha mais comentários e, conseqüentemente, tentativas de spammear seu conteúdo.
Tem blogueiros surgindo por aí que não conseguem juntar 3 palavras para formar uma frase, você já deve ter visto o fenômeno. Então não tem como citar um cara desses, daí acontece aquela história dos caras ficarem comentando que “fulano não linka ninguém”, “é tudo panelinha”.
Acho que era isso.
Noronha, muitos blogs começam, porém acabam se perdendo depois de um tempo. Inclusive, já aconteceu comigo. Quando você começou, esse problema também ocorreu com você, ou você já tinha tudo planejado? Qual o maior problema que você enfrentou com seu blog?
Eu comecei o blog quando já estava tendo uma renda considerável de outros sites, o blog inicialmente foi um veículo para me expressar, já que os outros são “money sites”.
No início usei o Blogger, não tinha nem anúncios, isso durou uns três meses. Quando percebi que dava para lucrar também com o blog, registrei o domínio e busquei um foco, em dezembro do ano passado.
Essa seria a fase 2, onde comecei a focar em SEO, otimização, tecnologia… sem esquecer de falar nos assuntos da moda, que ainda é o que mais gera visita no Brasil. Eu tenho um site mais “adulto”, digamos assim, que recebe mais de 20 000 visitas, todo mundo procurando as “mulheres do momento”.
O pior problema que pode acontecer é perder o rumo do blog, deixar que ele vire uma metralhadora giratória, escrevendo sobre tudo sem profundidade, isso eu tenho o maior cuidado para que não aconteça. Credibilidade é tudo, e se você perdê-la, dificilmente irá recuperar.
Só para completar, um problema comum é o chamado “bloqueio de escritor”, isso todo mundo tem. Mas não dá para deixar durar mais que um dia, para isso existem os memes, as resenhas de gadgets, não dá para ficar esperando inspiração. Muitos textos só saem quando se começa a digitar, então o negócio é escrever sempre, saia de onde sair.
Atualmente, existem muitos blogs na blogosfera brasileira, porém não muitos de qualidade, ou melhor, reconhecidos. Para você o que define quando um blog é bom ou ruim? O que te leva a apostar em determinado blog?
O meu critério é a qualidade do texto e a regularidade. Não adianta escrever um artigo bom e um monte de besteira a maior parte do tempo. Isso vale qualquer que seja o assunto, leio vários blogs de humor e até para isso tem que se puxar. Nada mais sem graça que publicar aquele texto engraçado que todo mundo já recebeu por email.
Na Internet as novidades duram pouco, o texto engraçado de hoje é o texto mais manjado amanhã, e amanhã ninguém vai saber se você foi o primeiro a publicar, esse é o problema. O negócio é criar conteúdo, ser original qualquer que seja o assunto. Blog é opinião, não tem que repetir nada.
Por falar nisso, já vi blogueiro cobrando isenção de quem veicula anúncios, dizendo que quem tem patrocínio, por assim dizer, deixa de ser isento. Isenção deveria ser coisa de jornalista, que por sinal não o são. Blogueiro N?O deve ser isento, tem que marcar sua opinião e, com isso, o território.
Eu posso escrever sobre um determinado filme, mas não ficar em cima do muro, estilo sinopse de jornal. O leitor encontra isso em qualquer lugar, não vai voltar ao meu blog quando pensar no assunto.
Na blogosfera brasileira, você sente aquele gostinho de ” já vi esse filme antes”, ou você acha que os blogs estão ficando mais distintos? Aliás, do que você sente falta nos blogs brasileiros?
Existe muita originalidade na blogosfera brasileira, assim como existe repetição de dados, mas isso existe na americana também. Tem muito, muito blog americano ruim de doer, só que todo mundo lembra dos bons, John Chow, Gizmodo (que eu acho bem melhor que o Engadget, acho ele muito sério pro meu gosto), Copyblogger, Steve Pavlina (que eu pessoalmente acho um chato, apesar do cara ter 150.000 únicos por dia).
O que falta no Brasil é acesso à informação. Blogs americanos de peso têm acesso a muitas notícias em primeira mão, os caras estão na lista de endereços de quem gera buzz, isso faz muita diferença.
Mas é também uma questão de tempo, o Edney já foi matéria de revista, o Cardoso também já é reconhecido por outras mídias. O tempo e a visitação crescente acabam levando à credibilidade.
É o seu objetivo? Tem maiores pretensões, quem sabe uma rede de blogs?
O meu objetivo é continuar em um ritmo constante de crescimento, não penso em uma rede de blogs a curto prazo. Acho que uma rede de blogs dilui o impacto. Prefiro receber dois links para o mesmo endereço do que fracionar isso.
O que está nos planos é escrever em inglês num futuro próximo. Tenho meia dúzia de artigos em inglês e recebo visitas do mundo todo por causa disso. São poucas, mas dá para ter uma idéia do potencial, onde houver regularidade, a visitação é exponencial.
Pretendo adotar uma estratégia de divulgação semelhante a que usei até aqui, vamos ver se funciona.
Inclusive tenho um domínio em hibernação, à espera de um foco, talvez utilize para o projeto em inglês. O problema de escrever em inglês é o assunto. Vejo muito blog que escreve sobre o Brasil em inglês. Ninguém quer saber de Brasil lá fora. Brasil para os gringos é sinônimo de mulher pelada, carnaval e futebol. Eles não sabem nem que Rio de Janeiro é Brasil, para muitos o Rio é um País a parte, falo isso com conhecimento de causa.
Bom, vamos falar um pouco sobre monetização. Para a maioria dos blogueiros, Adsense é o maior gerador de renda, porém agora há um bom número de alternativas, como HotWords, JáCotei, etc. Destas alternativas, quais poderiam “substituir” o Adsense, considerando os ganhos gerados pelos mesmos?
Ainda não vejo nenhum programa que possa substituir o Adsense. O UOL afiliados rende bem, mas ainda fica na metade do que o Adsense rende. Mas também não dá para ficar só com ele, no blog, a renda vem da combinação Adsense+Hotwords+Mercado Livre+Jacotei+Webtraffic, em ordem decrescente.
Por sinal, o Webtraffic só fica até acumular o pagamento mínimo, o que deve acontecer logo, banners são muito pouco clicados e o programa está se mostrando irregular, bons anunciantes sumiram.
Uma aposta?
No momento estou otimizando o Jácotei, ele rende muito bem quando otimizado, o Janio é prova disso, está faturando muito bem com eles.
É interessante ver que o JáCotei é nacional, inclusive, apóiam e ajudam os blogs a otimizarem seus ganhos. Partindo deste ponto de vista, você acredita que começaram a ver o potencial da blogosfera brasileira?
O Jacotei percebeu esse potencial e está apostando. Dá para ver isso no atendimento que dispensam ao afiliado, que é de primeira.
Para finalizar, se você fosse dar algum conselho àqueles que estão começando. Qual seria?
O maior conselho que pode ser dado a um blogueiro iniciante, na minha opinião, é caprichar na escrita, tanto no estilo quanto no português. Usar um corretor ortográfico sempre, nada pior do que um erro gritando no meio do texto. Textos bem escritos são o primeiro passo para quem quer entrar nessa área, a outra dica é paciência e regularidade. Bons textos, a longo prazo, vão fazer a visitação aumentar, certamente.
Noronha, muito obrigado, pela entrevista. Gostei muito do resultado. E, agora deixo aqui um espaço livre, sinta-se à vontade para dizer o que não foi possível dizer no decorrer da entrevista.
Já falei horrores, acho que só resta agradecer o convite e a atenção.

Postado em junho 15, 2007
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