A última infância feliz
Eu sou um cara um tanto observador, talvez não tanto quanto gostaria, mas o suficiente para perceber certas coisas. Eu gosto de observar detalhes de algumas situações e, a partir destas, criar meus conceitos, enxergar certos padrões ou coisas neste sentido. É esquisito, mas é interessante. Foi assim, por exemplo, que me dei conta – talvez tarde — de que não há mais infância. Ou melhor, não a infância que eu conheci — aliás, a que nós conhecemos –, uma infância onde crianças eram apenas crianças e nada mais.
Observando as crianças de hoje em dia, vejo que fui um privilegiado. Até mesmo o medo que eu sentia do Fofão bizonho era uma coisa boa. Na verdade, tudo que envolvia nossa infância era assim bom, como Castelo Rá-Tim-Bum, Mundo da Lua, Cavalo de Fogo, Punky, TV Colosso; brincar de pega-pega, esconde-esconde, enfim… Hoje não, agora tudo é vazio, sem graça. Talvez por isso as crianças queiram deixar de ser crianças cada vez mais cedo. Pode ser engano meu, mas deve ser por isso também que estas garotas ficam grávidas tão cedo. Quando eu era criança, por exemplo, não me recordo de ter visto adolescentes grávidas — ou crianças de 13 anos. A verdade é que elas não têm muito o que aproveitar da infância, pois penso que a infância, que nós conhecemos, não existe mais.
Basta observar para perceber. Hoje em dia, tudo é feito sem muito pudor. Estas crianças não têm mais aquela pureza que tínhamos antes. Sinceramente, eu até me espanto com as coisas que elas sabem. Tudo bem que informação é importante, mas ela se torna um retrocesso quando é revelada antes do tempo. É o que acontece hoje.
Lembro-me de que antes as paqueras eram feitas através dos famosos cadernos de perguntas. Era tudo assim, simples, básico, sem muita malícia. Bons tempos aqueles em que amor infantil não passava do simples gostar. Ok, eu sei… Eu sei que estou parecendo um velho. Mas oras, estamos falando de crianças! Observe como se comportam estas crianças de 11 anos. Sinceramente, não consigo achar normal. Não é normal… Ou talvez eu esteja ficando velho mesmo, quem sabe? Mas ainda prefiro o tempo em que crianças acreditavam que bebês vinham das cegonhas…
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Postado em Janeiro 4, 2008
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